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MUNDO INTELIGÍVEL (kósmos noetós, em grego) – corresponde as ideias, que
são sempre as mesmas para o intelecto, de tal maneira que nos permitem
experimentar a dimensão do eterno, do imutável, do perfeito (o mundo de
Parmênides). Todas as ideias derivam da ideia do bem.

Demiurgo e o Mundo

Apesar de, para Platão, existirem apenas essas duas realidades, ele supôs que
uma terceira realidade operou na criação do mundo, pois – como argumenta o
filósofo no diálogo Timeu – tudo o que foi gerado deve ter tido um princípio
gerador, isto é, uma causa. Desse modo, defendeu a ideia de que o universo
(mundo sensível) surgiu por obra de um demiurgo, palavra de origem grega que
significa “aquele que faz”, “construtor”.

De acordo com essa doutrina, o demiurgo buscou as ideias eternas do mundo
inteligível como modelo para dar forma à matéria indeterminada (cf. Platão,
Timeu, p. 96-97). Isso quer dizer que, de um lado, as ideias e a matéria já
existiam antes, sendo, junto com o demiurgo, as três realidades fundamentais
da cosmogênese platônica. De outro lado, significa que o mundo sensível foi
construído pelo demiurgo (uma espécie de deus “artesão”) à imagem das ideias
eternas.

Teoria das ideias

Observe que a concepção dualista de Platão – também conhecida como teoria
das ideias – opera uma mudança radical em relação ao pensadores anteriores
ao situar o ser verdadeiro fora ou separado do mundo sensível. Não era assim
para os filósofos pré-socráticos, que buscavam a arché das coisas nas próprias
coisas. Para Sócrates, a essência ou o ser verdadeiro também se encontrava nas
coisas.

Isso significa que o ser verdadeiro é, para esses filósofos, imanente (isto é,
encontra-se neste mundo ou se confunde com ele), enquanto para Platão é
transcendente.

Processo de Conhecimento

A teoria das ideias também costuma ser estudada em seus aspectos
epistemológicos, isto é, como uma teoria sobre o conhecimento verdadeiro
(epistemologia). É que, para Platão, o processo de conhecimento desenvolve-se
por meio da passagem progressiva do mundo sensível, das sombras e
aparências, para o mundo das ideias, das essências (ou seres verdadeiros).

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aparentemente em transformação. O mundo material pode estar sujeito à
mudança, mas o mundo das ideias de Platão é eterno e imutável. Platão aplica
sua teoria não apenas às coisas concretas, como camas e cães, mas também a
conceitos abstratos. No mundo das ideias de Platão há uma ideia de justiça, que
é a justiça verdadeira, enquanto todos os exemplos de justiça do mundo
material ao nosso redor são apenas modelos ou variantes menores. O mesmo é
verdadeiro em relação ao conceito de bondade, que Platão considera ser a ideia
suprema e o objetivo de toda investigação filosófica.

Conhecimento Inato

Persiste o problema de como podemos nos familiarizar com essas ideias, para
que tenhamos a capacidade de reconhecer os exemplos imperfeitos no mudno
em que vivemos. Platão argumentou que nossa concepção das formas ideais
deve ser inata, ainda que não estejamos cosncientes disso. Ele acreditava que
os seres huamnos são dividiso em duas partes: corpo e alma. Nossos corpos
possuem os sentidos, poir meio dos quais somos capazes de apreender o
mundo material, enquanto a alma possui a razão, com a qual podemos
apreender o reino das ideias. Platão concluiu que a alma, imortal e eterna,
habitou o mundo das ideias antes do nosso nascimento e ainda deseja retornar
àquele reino após nossa morte. Por isso, as variantes de ideias que o mundo dos
sentidos apresenta nos soam como uma reminiscência. Rememorar as
lembranças inatas dessas ideias exige razão, um atributo da alma.

Para Platão, a tarefa do filósofo é usar a razão para descobrir as formas ideais
ou ideias. Em A República, ele também sugeriu que os filósofos – ou mais
exatamente aqueles que são fiéis à vocação da filosofia – deveriam ser a classe
dominante, pois somente o verdadeiro filósofo poderia entender a natureza do
mundo e a verdade dos valores morais. No entanto, assim como o prisioneiro da
teoria da caverna que prefere as sombras aos objetos reais, muitos acabam se
voltando para o único mundo no qual se sentem confortáveis: Platão muitas
vezes achou difícil convencer seus colegas filósofos da verdadeira natureza de
sua vocação.

Legado Incomparável

O próprio Platão era a personificação de seu filósofo ideal, ou verdadeiro.
Debateu questões de ética antes levantadas por seguidores de Protágoras e
Sócrates, mas durante o processo explorou pela primeira vez o próprio caminho
para o conhecimento. Exerceu influência profunda sobre seu discípulo
Aristóteles, ainda que este discordasse da teoria das formas. As ideias de Platão

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